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Cientistas anunciam a descoberta de mais um planeta.



DATA
03 de fevereiro, 2012

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http://www.correioweb.com.br/euestudante/noticias.php?id=26598

Cientistas anunciam a descoberta de mais um planeta que orbita a zona habitável de uma estrela e reúne boas condições de abrigar água líquida. O corpo celeste, batizado de GJ667Cc, está a 22 anos-luz de distância.


Astrônomos do Instituto Carnegie para a Ciência, em Washington, anunciou ontem a descoberta de um planeta que, segundo eles, se mostra o mais promissor candidato ao título de "nova Terra". Guillem Anglada-Escudé, um dos líderes do estudo que localizou o GJ667Cc, explica que o corpo atende a uma série de pré-requisitos para abrigar água líquida, considerada uma condição primordial para a vida.

O principal deles é estar localizado em uma posição vantajosa em relação ao seu "sol", na chamada "zona habitável". Isso significa que o exoplaneta (como são chamados os planetas fora do Sistema Solar) não está tão perto da estrela-mãe a ponto de ser quente demais, nem longe o bastante para ser puro gelo. Além disso, ele recebe o equivalente a 90% da luz que incide sobre a Terra. Como a maior parte dessa luz é infravermelha, ou seja, mais fácil de ser absorvida, os cientistas envolvidos no estudo acreditam que o GJ667Cc absorve praticamente a mesma quantidade de energia que o Planeta Azul.

O novo astro está localizado a cerca de 22 anos-luz da Terra. Ele tem uma massa, no mínimo, 4,5 vezes a da Terra, ou seja, é o que os cientistas chamam de "super-Terra". Se realmente abrigar vida, os seus habitantes viverão anos curtos, de 28 dias cada. Os pesquisadores também descobriram indícios de que pelo menos um outro planeta, talvez até três, exista no mesmo sistema, composto de três estrelas.

Ao contrário do Kepler-22b — primeiro exoplaneta em zona habitável confirmado, em dezembro passado, pela Agência Espacial Norte Americana (Nasa), com a ajuda da sonda espacial Kepler —, o GJ667Cc foi descoberto com os pés fincados no chão. O achado foi baseado em observações do Observatório Europeu Austral (ESO), no Chile. Eles incorporaram, ainda, medidas efetuadas com os telescópios do Observatório Keck, no Havaí (Estados Unidos).

"Devido à maior precisão dos novos equipamentos à mão da ciência, no espaço e na Terra, podemos esperar que descobertas de planetas habitáveis sejam cada vez mais frequentes", opina Adriana Valio, professora do Centro de Radioastronomia e Astrofísica da Universidade Mackenzie. De acordo com a especialista, até agora foram encontrados 755 planetas fora do Sistema Solar, sendo a imensa maioria não habitável.

Busca difícil
Apesar do justificado entusiasmo dos cientistas com a descoberta de planetas habitáveis, eles têm em mente que as condições ideais para abrigar vida não significam que, nesses locais, serão encontrados seres inteligentes. O conceito de vida, inclusive, é um dos principais dilemas da astrobiologia, pois os pesquisadores só têm como base o que observam na Terra. Em princípio, trabalha-se com a possibilidade de existência de micro-organismos semelhantes aos que, há 3,5 bilhões de anos, começaram a povoar a Terra.

Planetas como o GJ667Cc são os melhores candidatos a desenvolverem vida, da forma que se conhece na Terra. Apenas as características físicas do planeta, porém, não são suficientes para fazer com que elementos químicos orgânicos se combinem e deem origem a aminoácidos.

Os cientistas admitem que o surgimento da vida foi quase um "acidente": havia moléculas de água, gás carbônico, hidrogênio e metano, entre outros gases, na atmosfera primitiva. Mas foram as atividades vulcânicas, as descargas de eletricidade e a radiação que possibilitaram as reações químicas que "juntaram" esses átomos, mais tarde convertidos em unidades básicas de vida. A expectativa dos astrobiólogos é que, se tudo isso ocorreu na Terra, existe possibilidade real de que outros planetas passem — ou já tenham passado — por processos semelhantes.

Devido à impossibilidade técnica de viajar para esses locais — para se ter uma ideia, Marte, planeta mais próximo da Terra, está a 230 milhões de quilômetros de distância —, a busca por vida extraterrestre ainda é teórica. Os astrônomos observam objetos identificados pelos supertelescópios e, a partir da análise dos espectros, conseguem determinar os elementos químicos que provavelmente existem lá.

Catálogo
Não há consenso sobre o que seriam planetas habitáveis. O Kepler-22b, por exemplo, ficou fora de um amplo catálogo sobre o tema elaborado pelo Laboratório de Planetas Habitáveis da Universidade de Porto Rico. Os pesquisadores de Arecibo entenderam que os dados sobre o raio do Kepler-22b são conflitantes, não dando certeza quanto a seu tamanho — um planeta com massa muito superior à da Terra seria inabitável. No estudo, entraram oito planetas e 30 luas com potencial de abrigar vida.

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